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O que o Twitter não é…

April 20th, 2008

Sixhat Pirate Parts Twitter Network

Dia­grama de minha rede Ego no Twit­ter orga­ni­zada por Eigenvalues

Ulti­ma­mente, parece que o Twit­ter está final­mente a ser descoberto em Por­tu­gal. Mas ao olhar para esta plataforma de micro-blogging des­cubro que ainda há muitas pes­soas que não sabem o que é, nem como a uti­lizar. Dizem-me que não gostam do twit­ter, que é muito sim­ples, que não serve para nada.

Out­ros, acham ape­nas serve como dump dos posts que fazem nos seus blogs, e alguns acham que o twit­ter só serve quando fechado e iso­lado sem par­til­har com o mundo exte­rior o que vão dizendo. E até já há quem ache que o twit­ter é o repositório da sabedo­ria inter­ne­tiana e se dedique a agre­gar as péro­las de 140 car­ac­teres que por lá vão pas­sando…
Não podiam estar mais erra­dos. É ver­dade que o Twit­ter pode ser uti­lizado de muitas maneiras: como um serviço de dis­tribuição de notí­cias por exem­plo como o que fiz para o Público, ou como forma de me avisar que tenho novos jogos de Xadrez para jogar, ou até para ir ouvindo o que se diz na TSF, mas este tipo de uti­liza­ção é per­feita­mente unidireccional.

A grande van­tagem do twit­ter é a inter­acção per­ma­nente. Há um fluxo de men­sagens que vão cor­rendo, onde cada um pode par­tic­i­par, entrar na con­versa, sair e opinar. Para quem tem um blog, o twit­ter não é uma exten­são do blog, mas pelo con­trário pode per­mi­tir ao autor uma inter­acção com as pes­soas inter­es­sadas no mesmo assunto, em tempo quase real. Se a inter­acção com o leitor de um blog através dos comen­tários ou dos emails é muito impor­tante num blog, o twit­ter pode ser a forma de tornar essa relação mais directa, mais pes­soal, com a van­tagem de nesse rio de tweets nunca haver pro­pri­a­mente um con­tacto directo. O twit­ter está algures entre o Instant Mes­sag­ing e o Email. O primeiro é demasi­ado ime­di­ato e o segundo muito dis­tante. É aqui que o twit­ter entra em acção.

Em ter­mos de redes soci­ais o Twit­ter per­mite por­tanto desen­volvi­mento de uma rede mais íntima entre pro­du­tores e con­sum­i­dores de con­teú­dos, através do aumento da inter­acção das partes, trans­for­mando uns nos outros.

Resu­mindo, quais as prin­ci­pais van­ta­gens do Twit­ter que quem quiser entrar nele deve ter em atenção?

Sat­is­fação
Todos sen­tem mais cedo ou mais tarde um desejo de se expres­sar sobre algo e obter uma resposta ou um feed­back. O twit­ter permite-o através desse fluxo con­tínuo de men­sagens cujo tema é deci­dido comumente.

Prox­im­i­dade
A inter­acção com o fluxo de men­sagens público daque­les que seguimos per­mite criar uma sen­sação de prox­im­i­dade em relação às pes­soas. Emb­ora não as con­heçamos direc­ta­mente (a muitas pelo menos) sen­ti­mos que de alguma forma elas fazem parte do nosso dia a dia. Estão ali, à dis­tân­cia de uma janela para saber o que opinam, tudo de uma maneira muito mais infor­mal, directa e crua que num blog ou site pessoal.

Colab­o­ração
O twit­ter pode per­mi­tir às pes­soas colab­o­rarem à dis­tân­cia, per­mitindo coor­denar movi­men­tos, tare­fas e até encon­tros. É uma forma de comu­ni­cação ass­in­crona, mas que per­mite sem dúvida algum tra­balho colaborativo.

Aber­tura
Todos podem par­tic­i­par, e a natureza desse rio de infor­mação é propí­cia a que a infor­mação seja disponi­bi­lizada aber­ta­mente. Nat­u­ral­mente não é o canal para par­til­har números de cartão de crédito, mas é a sua natureza aberta que atrairá out­ros a par­tic­i­par dos mes­mos temas. Daí que seja tão impor­tante a inter­acção. Se o processo for ape­nas uni­di­rec­cional está a ser ter­riv­el­mente subaproveitado.

Par­tilha
O twit­ter per­mite rap­i­da­mente a par­tilha de opiniões, links, ou endereços para coisas inter­es­santes que não iriam chegar a ser pub­li­cadas noutra plataforma, mas que desta forma entram no fluxo de men­sagens e que rap­i­da­mente podem chegar a pes­soas inter­es­sadas no mesmo assunto.

Mobil­i­dade
A lim­i­tação dos 140 car­ac­teres por men­sagem é na prática uma van­tagem. Isto porque per­mite que o Twit­ter seja móvel. O twit­ter pode ser uti­lizado através do site via um browser, através do de soft­ware especí­fico para o seu com­puta­dor, através do sis­tema de Instant Mes­sen­ger que tem insta­l­ado (por ex. o Google Talk) e através do telemóvel através de SMS. Pode-se “Twit­tar” a par­tir de qual­quer lado, e chegar a qual­quer lado.

Con­cluindo, o micro-blogging per­mite acima de tudo que se con­struam redes de prox­im­i­dade muito fortes. Per­mite uma troca de men­sagens quasi-sincronas mas com o buffer de tempo necessário para fil­trar o que se quer e o que não se quer con­sumir. Por outro lado a sua mobil­i­dade per­mite que a par­tic­i­pação dig­i­tal dos inter­ve­nientes se afaste do PC e seja lev­ada para out­ras platafor­mas. É mais uma forma de as pes­soas estarem sem­pre perto, mesmo quando não tem um computador.

Olhar para o twit­ter como um par­ente pobre dos blogs é ser reducionista ao ponto da cegueira. O twit­ter exige par­tic­i­pação. É um processo de duas vias e quem quiser par­tic­i­par não pode ape­nas escol­her uma. (Ou reti­rar coisas do twit­ter, ou despe­jar coisas no twit­ter). O Ou não fun­ciona. Tem que fazer as duas, tem que ser “E”. Colo­car coisas no rio de men­sagens, par­tic­i­par E reti­rar infor­mação de lá. Só dessa inter­acção pode com­preen­der o twit­ter e perce­ber o seu potencial.

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  1. André Melo
    April 21st, 2008 at 12:10 | #1

    Na mouche.

  2. April 22nd, 2008 at 22:05 | #2

    Fal­tou uma: o Twit­ter não é, mas pode ser usado como, o serviço de sms gra­tu­ito mais rápido e efi­caz que con­heço, excepção feita ao do GMX alemão, que é ainda um pouco mais fiável.

  1. April 23rd, 2008 at 07:12 | #1
  2. April 28th, 2008 at 11:07 | #2
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